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Inovar requer processos bem definidos

Edição: 12/2013

Muitos acreditam que inovar é um ato de criatividade e que quanto menos estruturado for, melhor. Ledo engano! Inovar é um processo de transformar problemas, oportunidades ou insights em algo que gere valor para uma organização. Esse valor pode ser um retorno sobre o investimento na forma monetária ou econômica ou qualquer outro valor buscado por uma organização.



Criatividade é fundamental no inicio desse processo, mas as etapas de transformação de ideias criativas em resultados requerem muita disciplina e, em muitos casos, experimentações, repetições e rotinas nada criativas.

Em nossas pesquisas sobre inovação nas empresas, identificamos algumas dezenas de processos utilizados. O mais comum – talvez o de menor impacto, porém importante – é o que chamamos de inovação espontânea. Os colaboradores trazem ideias para o ambiente de trabalho, na maioria das vezes para solucionar um problema ou melhorar uma rotina existente. É um mecanismo conhecido como campo de ideias, caixa de ideias ou central de ideias.

Os processos espontâneos de inovação têm a vantagem de ser simples e gerar na empresa um ambiente em que todos se sentem parte do processo de inovação. Apesar de terem baixo impacto, devem fazer parte do portfólio de atividades dos profissionais de RH de todas as empresas. A única desvantagem desse tipo de processo é que ele requer atenção constante dos gestores. Ideias oferecidas por colaboradores são em sua maioria fragmentos de pensamentos maiores, que devem ser desenvolvidos e ampliados. A falta de atenção aos detalhes pode resultar na implementação de falsas soluções ou desconsiderar ideias inovadoras por serem diferentes do padrão.

Em uma pesquisa realizada há alguns anos com grandes e médias empresas mineiras, observamos que a maioria adotava um processo de inovação que chamamos de induzida. Trata-se de inovações iniciadas por uma demanda ou por uma oportunidade. Na maioria dos casos pesquisados, a inovação era induzida por clientes ou pelo mercado. Apesar de considerarmos os processos de inovação induzida um ideal para empresas que queiram ampliar sua capacidade inovadora, esse processo tem o risco de resultar apenas em melhorias ou, como preferimos, em inovações incrementais, que apenas preservam a capacidade competitiva da empresa.

Há alguns anos, fizemos uma experiência com uma montadora que buscava reduzir seus custos operacionais. Trabalhamos com a direção na identificação de oito desafios estratégicos e táticos. Com a participação de 80 profissionais da empresa, promovemos um processo de inovação induzida que gerou dezenas de ideias. Algumas delas foram oportunamente implementadas. O exercício não foi suficiente para mudar a cultura operacional, mas, nos 90 dias em que as equipes trabalharam no processo, puderam desenvolver soluções para alterar a relação da empresa com o mercado, melhorar o processo de just in time e produção e até mesmo explorar novos modelos de negócios que, por serem fora do padrão, nunca puderam ser implementados.

Na pesquisa com empresas mineiras, observamos que outros processos, como pesquisa e desenvolvimento internos ou com o envolvimento de universidades e ICT’s nacionais e/ou estrangeiros; investimentos em startups que estejam desenvolvendo tecnologias ou processos diferenciados; aquisição de empresas que tenham soluções inovadoras (processo contrário ao spin-off, que chamamos de spin-in); ou mesmo o desenvolvimento de inovação em cooperação com concorrentes são praticas muito pouco comuns no contexto brasileiro. Boa parte do que as empresas chamam de inovação são incorporações de soluções, tecnologias e processos e, algumas vezes, até de produtos oferecidos por fornecedores nacionais e estrangeiros. São fatores importantes, que muitas vezes diferenciam as empresas em seus mercados, mas não necessariamente levam ao desenvolvimento de soluções inovadoras para o país ou para o mundo.

De maneira didática, eu divido os diversos processos de inovação em três grupos: inovações com impactos de curto prazo, como as espontâneas ou de melhoria de processos; inovações com impactos de médio prazo, como as de produtos e de serviços em setores com estações ou sazonalidade, como moda, alimentício e de cosméticos ou a tropicalização de produtos e serviços; e inovações com impactos de longo prazo, como as resultantes de pesquisas tecnológicas, aquisições de empresas inovadoras (spin-in) e a formação de redes nacionais e internacionais de pesquisa.

O mais importante, como já comentamos anteriormente, é não apenas falar de inovação, mas praticá-la de forma estruturada, envolvendo o maior número possível de pessoas na etapa criativa do processo e se preparando para o sucesso ou o fracasso dessa tentativa.

Fonte
Pequenas Empresas & Grandes Negócios

 

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