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Como inovar em mercados cada vez mais competitivos

Edição: 01/2011

Há 11 anos, o norte-americano Guy Kawasaki, 54, dedica boa parte de seu tempo a uma tarefa difícil: tentar identificar empreendedores com ideias inovadoras, capazes de render lucros estratosféricos. Ele é fundador do Garage Technology Ventures, fundo de capital de risco da Califórnia especializado na compra de participação de empresas nascentes de alta tecnologia. Com a experiência acumulada, escreveu nove livros de empreendedorismo - entre eles, "A Arte do Começo", best-seller nos Estados Unidos, e o recém-lançado "Reality Check". Em entrevista exclusiva a Pequenas Empresas & Grande Negócios, ele aponta caminhos para quem quer inovar no mercado, recrutar bons funcionários e atrair investidores.

Por que o senhor costuma dizer que a busca da perfeição é inimiga da inovação?
A primeira versão de um produto inovador raramente é perfeita. No início, por exemplo, o Macintosh não tinha software nem disco rígido. A empresa que espera até que tudo esteja perfeito nunca faz o lançamento. De tanto aguardar, acaba superada pelo mercado. Mas isso não significa que dê para continuar assim. É preciso aprimorar a versão 1.0 e criar as versões 1.1, 1.2, 2.0... Inovação não é um evento, é um processo. Essa é uma lição difícil de aprender. Como os funcionários trabalharam tão duro para lançar algo inovador, a última coisa que querem é lidar com reclamações a respeito de seu "bebê perfeito".

Algum outro erro comum?
A maioria das empresas tenta criar panaceias milagrosas: produtos com apelo para todas as regiões e todos os níveis socioeconômicos. Mas a estratégia só garante mediocridade. Bem melhor é criar algo que deixe alguns segmentos muito felizes, sem ter medo de descontentar outros. O pior dos mundos é ser incapaz de despertar reações passionais - sina das companhias que querem deixar todos contentes.

Como é possível acertar na contratação da equipe sem gastar muito com recrutamento?
Existem cinco passos importantes. Primeiro: considere candidatos sem currículo perfeito - ou seja, sem a experiência de trabalho e a formação ideal. Segundo: empregue pessoas melhores que você nas funções em que vão trabalhar. Terceiro: garanta que sua escolha tenha apoio de todos os tomadores de decisão - grupo que pode incluir sua mulher, seu marido ou seus pais. Quarto: não confie só na intuição. O problema com intuição é que só nos lembramos dela quando o palpite estava certo. Mas provavelmente já erramos tanto quanto acertamos. Por confiar demais no instinto, muitos empresários conduzem entrevistas de emprego de forma desestruturada. Resultado: acabam com péssimas escolhas.

E qual é o quinto passo no processo de seleção de pessoal?
Recomendo um teste. Funciona assim: suponha que você encontre seu candidato num shopping center. Ele está a 15 metros de distância e não o viu. Você tem três escolhas. A primeira é andar até ele para dizer oi. A segunda é só cumprimentá-lo se vocês se esbarrarem no corredor. Afinal, o shopping não é tão grande assim. A terceira é pegar o carro e fazer as compras em outro lugar. Só contrate candidatos que se enquadrem na primeira resposta.

Com base na sua experiência, qual a principal característica comum a empreendedores bem-sucedidos?
A principal delas é o fato de acreditarem que existe um jeito melhor de fazer as coisas - uma maneira melhor para usar o computador, buscar informações e por aí vai. Tudo começa com essa visão ingênua e às vezes equivocada. É principalmente por isso que muitos empreendedores de sucesso são jovens. Eles são ingênuos e românticos. E isso é bom. O problema é que empreendedores malsucedidos também compartilham o mesmo traço. Com uma diferença: estavam errados. A questão é que, logo no começo, ninguém consegue dizer se você está certo ou errado. O único jeito de descobrir é tentando.

Qual é o conselho mais importante para quem está começando um negócio?
Nunca peça algo que você não faria. Se você não fornece informações pessoais para conseguir uma senha de acesso gratuito a um site na internet, não espere que seus clientes revelem os dados. Se você não faria o que quer de seus funcionários, não peça isso a eles. Outro conselho importante: foque o fluxo de caixa. Quem começa com pouco investimento precisa montar um negócio que não exija muito capital de giro, com ciclos curtos de vendas e prazos curtos para recebimentos. Isso significa abrir mão daquela grande venda que consome doze meses - das primeiras negociações ao dia em que finalmente o dinheiro cai na conta.

E as melhores dicas para quem busca investimentos de fundos de capital de risco...
De saída, é importante procurar os fundos adequados. Para isso, estude suas áreas de interesse e investimentos recentes. Depois, na reunião para apresentação do negócio, seja breve. Logo no primeiro minuto, diga o que sua empresa faz. Recomendo a chamada regra do 10-20-30. São dez slides no Powerpoint, apresentados em 20 minutos, com corpo nunca menor que o tamanho 30. Digo dez slides porque seres humanos normais não conseguem compreender mais de dez conceitos numa reunião. O corpo 30 é útil porque força a escrever de forma mais concisa. A regra vale até para quem não busca recursos de investidores. Serve para qualquer apresentação que almeje um acordo, como, por exemplo, acertos de vendas, parcerias ou contratações.

Qual é a forma mais fácil de afugentar investidores?
Você pode arruinar suas chances contando mentiras típicas dos empreendedores. Uma delas é dizer que, para ter sucesso, seu negócio só precisa de algo como 1% do mercado, de bilhões de dólares. Nenhum fundo investe numa empresa que se contenta com 1% do mercado. E tem outra: não é tão fácil assim conseguir esse 1%. Para não fazer papel de bobo, melhor mostrar uma visão realista das dificuldades da construção de uma empresa bem-sucedida. Outra lorota comum vem da afirmação de que ninguém mais faz o que a companhia produz. Isso dá margem a duas conclusões. A primeira é que, se ninguém mais faz, falta mercado para o produto. Também podem concluir que você não consegue nem usar o Google para descobrir que a concorrência existe. De forma geral, se você tem uma boa ideia, cinco outras empresas estão fazendo a mesma coisa. Se você tem uma ótima ideia, o número sobe para quinze.

E por que os empreendedores mentem tanto?
Para ser empreendedor, é preciso mentir - em primeiro lugar, para si mesmo. Você tem que acreditar que consegue criar, produzir e vender algo - e ainda receber os pagamentos. Quem for incapaz de ignorar todos que insistirem no contrário não é empreendedor. Uma das formas mais fáceis de não se deixar abater pelo pessimismo alheio é recorrer a mentiras e negações. Mas quando seu produto finalmente chega ao mercado, é hora de deixar o hábito e ouvir os consumidores. Essa mudança de comportamento é uma das coisas mais difíceis na vida de um empresário.

O senhor costuma dizer que é preciso dar mais ouvidos às mulheres na hora de planejar o negócio. Por quê?
As mulheres não têm predisposição genética para matar. Homens têm. Homens adoram tudo que possa matar um produto, serviço ou empresa concorrente. Já as mulheres sabem que ninguém se torna cliente de uma empresa para ajudar a destruir algo. As pessoas compram seu produto ou serviço pelo próprio benefício. Por isso, pergunte às mulheres - e não aos homens - o que acham de suas ideias.


Fonte:
http://revistapegn.globo.com/Revista/Common/0,,EMI81360-17172,00-COMO+INOVAR+EM+MERCADOS+CADA+VEZ+MAIS+COMPETITIVOS.html

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Comentários (1)

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Ter visão é algo que se comenta há muito tempo. Guy Kawasaki mostra como enxergar o mercado, com nitidez, utilizando uma linguagem clara. "Esse é o cara" Israel Alvares Casa Nejur www.casanejur.com.br

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