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E aí, você já falhou hoje?

Edição: 07/2015

Robinson Shiba já teve churrascaria, casa de cuscuz, choperia, restaurante de kebab, lan house e até loja de roupas infantis. Mas o empresário ficou conhecido mesmo pelo sucesso do China in Box. No Brasil é assim mesmo: a cultura do sucesso predomina e a discussão sobre negócios que não deram certo acaba, muitas vezes, ficando de lado até pelo receio que o próprio empreendedor tem de ser taxado de perdedor por amigos e familiares.



Mas o fracasso pode trazer lições importantes. Ainda mais quando 45% dos empreendedores que fecharam um negócio voltam a empreender – como autônomo ou a partir do nascimento de uma nova empresa, segundo dados do Sebrae-SP.

No caso de Shiba, nenhuma das tentativas anteriores surtiu o resultado esperado. Alguns fecharam e outros foram vendidos. A lição que ele aprendeu? “Você precisa ter foco. Depois de estruturar a empresa eu achei que estava preparado para fazer qualquer coisa e comecei a investir em outros tipos de culinária e obviamente estava completamente errado”, conta.

Culturalmente, o fracasso sempre foi mal visto no Brasil, o que na opinião do diretor de empreendedorismo da Fiap, Marcelo Nakagawa, é prejudicial.
“Enquanto lá fora errar faz parte do processo, aqui de certa forma inibe muita gente que gostaria de empreender, mas tem medo de fracassar, não só pelo fracasso em si, mas sobre como ela será taxada”, opina.

Empresário chegou a ter prejuízo de mais de R$ 1 milhão
Uma regra importante é continuar tentando. O negócio de maior sucesso criado por Wilson Poit, por exemplo, surgiu apenas na quinta tentativa e aos 40 anos. A Poit Energia começou com um caminhão, equipado com um gerador elétrico, e em 12 anos o negócio se transformou em líder de mercado na América Latina.

“Eu acredito que a pior coisa que pode acontecer para o empreendedor nem são os negócios que quebram. A pior coisa é andar de lado a vida inteira”, diz Poit, que vendeu a empresa em 2012 e hoje é o atual diretor-presidente da São Paulo Negócios. “Não existe história de empreendedor que não tenha perseverança e recomeço. Tem que ser otimista.”

Mesmo com uma faculdade de administração e experiência em grandes empresas, o empresário Sérgio Bertucci descobriu que havia aprendido muito pouco quando decidiu abrir um negócio no segmento de roupas. Ele chegou a criar uma marca e ter cinco franquias. “O negócio vendeu muito, mas tive problema com fluxo de caixa, precisei pegar dinheiro no mercado e sujei até o nome dos meus pais”, lembra. A ‘quebra’ estava próxima quando o empresário conseguiu vender metade da marca. O que era para ser a salvação, acabou não dando certo. “Não adianta só capital, tem que ter sinergia.”

Os erros do passado ajudaram Sérgio na empresa atual. Em parceria com a mulher, Milena, ele lançou a Star Think Uniforms, que quer faturar R$ 18 milhões este ano. Entre as lições aprendidas, ele destaca a resiliência, a capacidade de sonhar, criar processos e avaliar sempre o fluxo de caixa.
Já o empresário Eloy Tuffi já foi chamado até de pau de sebo por causa dos negócios que não deram certo. “Eu subia, subia, chegava lá em cima e caía”, lembra o presidente da Microcamp. A lição que ficou? Tudo o que você erra, você aprende.”

Por isso, a dica de Felipe Gasko, da Endeavor, está na cultura do fail fast. “Vai com tudo no que você acredita e se for para dar errado, que dê errado rápido para partir para a próxima rápido”, recomenda.

Por Gisele Tamamar

Fonte
Estadão PME

 

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