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Empreendedor não sobrevive sem inovar, diz presidente da Desenvolve SP

Edição: 11/2015

Quase R$ 2 bilhões em financiamento para 1.300 empresas de 245 municípios paulistas. Este é o balanço dos seis anos de atuação da Desenvolve SP – Agência de Desenvolvimento Paulista. A instituição, ligada ao governo estadual paulista, apoia startups, pequenas e médias empresas com recursos próprios e repassados do BNDES e da FINEP. As taxas de juros mais baixas costumam ser atraentes para os empreendedores.

Um dos diferenciais da Desenvolve SP é ter um quarto das suas linhas de financiamento focadas em inovação, com taxas próximas de zero. “Os bancos convencionais normalmente não têm apetite por esse tipo de operação, em que o risco é alto”, diz Milton Luiz de Melo Santos, presidente da Desenvolve SP.

Economista com carreira pelo Banco Central, Santos passou pelo Banco Nossa Caixa e pelo banco de Crédito Real de Minas Gerais. Hoje, acumula a presidência da agência e da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE). Em entrevista exclusiva a Pequenas Empresas & Grandes Negócios, o executivo falou sobre crédito, economia e os desafios dos empreendedores.

Qual o papel de agências como a Desenvolve SP no fomento ao empreendedorismo?
Essas agências vêm sendo criadas nos estados em substituição aos bancos estaduais e têm a missão de apoiar o desenvolvimento local, com financiamento de prazos mais longos e taxas mais baixas. Elas trabalham com capital próprio, aportado pelo Tesouro, e também oriundos de repasses do BNDES. São importantes para o desenvolvimento da economia local, já que o foco não é financiamento para produzir lucro na instituição. Elas têm condições de oferecer crédito com taxas de juros mais apropriadas a projetos que têm períodos de maturação mais longos como empreendimentos inovadores e startups de tecnologia. Os bancos convencionais normalmente não têm apetite por esse tipo de operação, em que o risco é alto.

Como a Desenvolve SP está trabalhando atualmente?
A Desenvolve SP tem como foco trabalhar empresas de pequeno e médio porte, por isso, só atendemos companhias com faturamento máximo de R$ 300 milhões por ano. Quando olhamos para nossos financiamentos, vemos que o valor médio é de R$ 940 mil para empresas com faturamento médio de R$ 20 milhões. Normalmente, esses recursos vão para investimento na empresa, introdução de nova linha de produção, novo equipamento e maquinário ou novo processo.

Como você enxerga o empreendedor brasileiro hoje?
Temos estudos que mostram que o Brasil é um dos países com maior número de empreendedores. É um dado positivo. Eles são corajosos, determinados. Sabemos quanto é difícil empreender no Brasil por conta de regras, leis, resoluções e portarias. É um esforço muito grande. O ponto forte é ter determinação, coragem e vontade. O ponto fraco está na falta de uma qualificação mais apropriada de noções de administração financeira, planejamento de negócios e governança. Uma deficiência que tem levado muitas empresas a não passarem do segundo ano de vida.

Inovação também costuma ser um ponto fraco nas empresas brasileiras de pequeno porte. Como melhorar isso?
Esse é um processo que vemos observando certa mudança nos últimos 15 anos. Aos poucos, o empreendedor percebe que se não inovar no negócio, for mais criativo, com uma estratégia mais alinhada com o público consumidor, ele logo vai ficar fora do mercado. Temos linhas de financiamento com recursos próprios ou repassados do BNDES e da FINEP para financiar projetos na área de inovação. Temos fundos de investimento em participações, chamados FIP, em que atuamos como investidores para que eles possam, com visão profissional, analisar as empresas que existem em parques tecnológicos e incubadoras. Nós criamos ainda o Movimento pela Inovação em que o foco é justamente ir ao local onde estão as incubadoras e apresentar as linhas que oferecemos, despertando no empresário um interesse maior para acelerar o processo da empresa.

Boa parte dos parques tecnológicos e incubadoras está dentro da academia. Qual o papel da universidade neste processo?
A gente vai aos poucos assimilando esse modelo que nos Estados Unidos e outros países de parceria mais forte entre universidades e o meio empresarial. Ela tem o sentido de pegar o conhecimento científico e fazer com que ele se transforme em produtos e serviços que vão beneficiar a população como um todo. Essa parceria é essencial. Estamos trabalhando para despertar esse interesse e conseguir transformar uma riqueza muito grande que são as pesquisas do meio acadêmico. É aproximar a economia real e o empresário do acadêmico, para chegar a outro patamar de empresa de alta tecnologia e competitividade.

Com a instabilidade econômica, o crédito tem sido um problema para pequenas empresas. Está cada vez mais difícil ter acesso a financiamentos. Como você avalia este momento?
Quando você pega as estatísticas do Banco Central de total de crédito alocado, a gente observa que houve um crescimento expressivo da oferta de crédito até 2011, se comparamos ao PIB. Estamos trabalhando com 55% do PIB em termos de oferta de crédito no mercado. Há 20 anos, era de 20%. Houve crescimento grande, mas tem mais crédito para o consumo do que para produção. Essa é a grande diferença e que, de certa forma, levou a esse impasse. Tivemos um aumento no endividamento expressivo, com dinheiro fácil para o consumo e isso acaba por exercer pressão sobre preços de várias mercadorias. A ausência de financiamento para produção levou com que tivéssemos empresas com dificuldade grande em atender a demanda e a perda da competitividade da indústria brasileira. Em 2015, esperamos um crescimento pequeno do crédito. Até porque o empresário, em momento de crise política e econômica, tende a ser mais cauteloso.

Falando em crise, o que mais afeta os empresários hoje?
O que afeta mais o empresário é a insegurança no comando político que leva a economia a ficar literalmente parada. Temos um PIB negativo e isso se deve a esse sentimento de insegurança que é percebido pelo empresário. Isso combinado com inflação na casa dos 10%, mais taxa de juros crescente e câmbio volátil é muito forte para os empresários. Em compensação, tem gente que vem procurando enxergar oportunidades nesse cenário. Temos pequenas empresas e até startups investindo na inovação dos seus negócios para contornar a crise e se colocar em posição favorável quando a economia estiver em um caminho mais sustentável. Neste ano, tivemos crescimento nos investimentos da inovação, comparado a 2014.

Fonte: PEGN

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