Histórico

Mais votados

Cadastre-se

Preencha os campos abaixo para receber o Boletim do Empreendedor gratuitamente:


Depois de alimentos, serviços devem pressionar inflação em 2011

Edição: 03/2011

Depois da alta do preço dos alimentos, agora é a vez dos serviços ocuparem a posição de vilão da inflação. O alerta foi feito por economistas. Segundo eles, a preocupação com estes preços, em particular, é sua perenidade. Ao contrário dos bens chamados de ‘tradables’ (comercializáveis), eles não podem ser importados, exportados, etc. Ou seja, a concorrência é mais baixa, o que favorece a alta dos preços. Além disso, são fortemente influenciados pelo aquecimento da atividade econômica e pelo crescimento da renda. “A inflação no setor de serviços é geralmente forte em um contexto de crescimento econômico acelerado, quando a expansão da renda e da demanda é expressiva. Sua principal característica é a persistência”, alertou Marco Maciel, economista do Banco Pine.

Parte dessa tendência para o setor de serviços é justificada pelos preços em educação, que costumam subir no começo do ano, com a demanda em alta por conta da volta às aulas. Outra pressão de alta vem do impacto do aluguel - que geralmente é corrigido por força de contrato pelo Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M). Como os valores são reajustados pelo IGP-M acumulado nos 12 meses anteriores, a forte inflação passada terá impacto nas negociações dos contratos que vencem ao longo de 2011. Quem tem aluguel com correção no começo deste ano ainda será beneficiado pela inflação baixa do início de 2010. Contudo, à medida que os meses passarem, o IGP-M acumulado passará a incorporar meses de preços mais altos, o que se verificou da metade do ano passado para cá. O indicador que corrige o aluguel subirá mês a mês até atingir o pico de 9,7% em setembro, quando, enfim, desacelerará até chegar a 8,5% em dezembro. Ainda assim, um valor ‘salgado’.

“Os contratos que já estão fechados são uma preocupação. Contudo, não podemos esquecer dos aluguéis que ainda serão contratados. Como a demanda por este serviço seguirá elevada e a oferta de imóveis não responde de forma rápida, as elevações destes preços tendem a continuar expressivas e merecem um acompanhamento de perto”, destaca o analista de inflação da Tendências, Thiago Curado.


Dinamismo e persistência - Diante disso, os preços do serviços devem registrar aumento em 2011 de 7,5% a 8,5%. Trata-se de uma alta acima do centro da meta de inflação, que é de 4,5%. Mesmo levando em conta o topo da meta, que é 6,5%, a alta do preço de serviços assusta. “O setor de serviços é o termômetro mais fiel da intensidade da demanda interna de um país”, disse Celso Toledo, economista da LCA Consultores.

Parte da explicação para sua força e perpetuidade reside no fato de que serviços não podem ser ‘transacionados’. Em outras palavras, ainda que descontentes com os preços praticados, as famílias não podem, por exemplo, substituir o serviço de uma escola brasileira pelo de uma estrangeira, a fim de economizar. Isso já não acontece no caso de outros produtos. Salvo as commodities, cujas cotações formam-se no cenário internacional (logo, é a mesma no Brasil ou no exterior), a maior parte dos bens - máquinas, automóveis, vestuário, brinquedos, etc. - tem preços diferenciados e podem ser importados.

Mas o aspecto mais importante da inflação de serviços é mesmo sua íntima ligação com a demanda doméstica. A expectativa de mercado, segundo a pesquisa Focus do Banco Central, é que a economia brasileira desacelere em 2011, mas isso não significa ‘andar para trás’. Ao contrário, o crescimento esperado não é nada desprezível: 4,5%. Os economistas ouvidos são unânimes em afirmar que o consumo interno continuará a crescer em ritmo superior ao da capacidade de oferta, incentivado por ótimos indicadores de emprego e renda. Diante deste quadro, os componentes ligados a serviços no IPCA - com destaque para despesas pessoais, educação, saúde e cuidados pessoais e habitação - não teriam porquê sofrer ajustes para baixo. Ao contrário.

O alerta decorrente desta persistência dos preços de serviços - num cenário em que já preocupam as cotações das commodities - fica, uma vez mais, para o poder público. Não há escapatória. Este ano terá de ser marcado por uma austeridade fiscal de fato. O governo federal tem obrigação de contribuir para diminuir as pressões sobre a demanda interna brasileira, se não quiser entregar todo o trabalho para o Banco Central - leia-se alta de juros.


Fonte:
http://veja.abril.com.br/noticia/economia/inflacao-de-servicos-e-alerta-para-2011

Deixe seu comentário:









Digite este número...

O que você achou desta matéria?

Vote e ajude-nos a melhorar.



Os seu e-mail e o seu CPF não serão exibidos nos comentários. Eles serão guardados em nossa base para podermos atender você, cada vez melhor!

Comentários (1)

-
Boa matéria. Objetiva, rápida de ler, conteúdo prático.

Boletins especiais