Histórico

Mais votados

Cadastre-se

Preencha os campos abaixo para receber o Boletim do Empreendedor gratuitamente:


Empresa brasileira cria tablet que monitora sinais vitais

Edição: 04/2016

Um dos setores mais complexos do mercado é o de tecnologia hospitalar. Cada produto desenvolvido segue uma série de recomendações técnicas, o que dificulta o processo de inovação. Uma empresa brasileira que vêm se destacando no setor é a Hi Technologies, que produz um oxímetro — aparelho que mede a quantidade de oxigênio no sangue — capaz de funcionar como um tablet.

A história da Hi Technologies começou em 2004, na Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em Curitiba. Nessa época, cinco jovens amigos estudantes de engenharia da computação — entre eles Marcus Figueiredo e Sérgio Rogal Júnior — tiveram a ideia de abrir uma empresa para fabricar equipamentos médicos.

“Nós estávamos na metade da faculdade e tivemos que fazer um trabalho em grupo. A ideia de criar algo na área da medicina foi minha, por conta de um estágio que tinha feito em um projeto de telemedicina. A partir daí, combinamos nossos conhecimentos da Universidade com a vontade de empreender”, diz Figueiredo.

No fim daquele ano, a Hi Technologies tinha nascido. O plano de negócios dos amigos no início era criar um equipamento inteligente e conectado à internet, que fosse usado para monitorar pacientes em hospitais. “Mas nós éramos todos estudantes e não tínhamos ideia do investimento necessário para fabricar um produto. Então, um professor nos deu a dica de começarmos produzindo softwares”, conta.

No começo de 2005, os cinco estudantes investiram R$ 2,5 mil no desenvolvimento do software para monitoração e foram aceitos na Incubadora Tecnológica de Curitiba, onde tiveram mentoria para montar o negócio. Durante dois anos, o grupo tentou vender o programa para hospitais e consultórios, mas não tinham sucesso. “A gente não sabia como o mercado de saúde funcionava. É um setor bastante fechado, e como a nossa empresa era muito nova, era difícil convencer os hospitais”, afirma Figueiredo. Segundo o empreendedor, o software da Hi Technologies sempre era aprovado nos testes técnicos, mas quando os diretores dos hospitais conheciam a empresa e viam que era composta por estudantes, a negociação parava.

O momento de virada foi em 2007. Depois de realizar testes em dez hospitais diferentes de Curitiba, finalmente uma instituição decidiu comprar o programa. “Nesses dois anos, alguns sócios foram desistindo do negócio e seguiram outros caminhos. Só restava eu e o Sérgio, que aceitamos fazer alguns bicos para manter a empresa. Quando fizemos a primeira venda, já não éramos mais estudantes e a empresa estava solidificada. Foi um sucesso”, conta o empreendedor.

Depois de dois anos de vacas magras, dois anos de vacas gordas vieram. O software vendido pela dupla podia ser instalado em equipamentos médicos de qualquer marca e ajudava a monitorar sinais vitais de pacientes à distância, pela internet.

“O nosso sistema atendeu a todas as necessidades do hospital e começamos a vendê-lo para novos compradores. Ganhamos uma sequência de prêmios em inovação e empreendedorismo e ia tudo muito bem até que, no fim de 2008, decidimos parar as vendas”, conta Figueiredo.

Na época, a equipe da Hi Technologies era composta por cinco pessoas, e o programa monitorava uma média de 27 pacientes diferentes por dia. 2008 seria o primeiro ano que o negócio teria um faturamento de R$ 1 milhão, mas, mesmo assim, Figueiredo conta que preferiu não ter novos clientes, apenas manter os antigos. “Esses dois anos ativos foram muito bons para a empresa, mas percebemos que ter apenas o software limitava o nosso potencial de mercado. Por isso, decidimos voltar à ideia da época de faculdade e voltamos a planejar nossa fábrica de equipamentos médicos.”

Para montar a fábrica, a empresa conseguiu R$ 1 milhão, em recursos fornecidos pelo Sebrae e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Em maio de 2010, a linha de produção ficou pronta e a empresa já contava com uma equipe de 25 pessoas. Foram mais dois anos com pouco dinheiro, pois o faturamento da Hi Technologies tinha sido quase nulo. Figueiredo conta que o plano era começar as vendas do equipamento no começo de 2011, mas, por conta de um atraso na liberação do aparelho, apenas em agosto de 2011 fizemos a primeira venda. “Tivemos dinheiro para produzir apenas uma unidade em agosto, que foi vendida. Em setembro, usamos o dinheiro dessa venda para produzir mais duas unidades. Depois em outubro, fizemos três, em novembro, quatro, e fomos crescendo assim”, explica.

Hoje, a Hi Technologies possui capacidade para produzir até 200 unidades por mês. O equipamento vendido pela empresa está presente em 110 hospitais em 22 estados do Brasil, além de consultórios particulares e instituições de 15 países, como Estados Unidos, Israel e Canadá.

O Milli — como é chamado o aparelho da empresa — funciona como um tablet capaz de fazer exames médicos e monitorar os sinais vitais do paciente. A vantagem do equipamento, é que ele permite que o usuário navegue pela internet, envie mensagens, veja vídeos, tudo enquanto é analisado. “Nosso aparelho também tem uma vida longa muito útil, tanto que as unidades que vendemos em 2011 funcionam até hoje”, diz Figueiredo, após comentar que a vida útil de um aparelho comum do setor é de, em média, oito meses. O aparelho completo é vendido hoje por R$ 4,4 mil, e há versões para testes específicos — como em crianças, por exemplo — que custam até R$ 6,9 mil.

Em janeiro de 2016, metade da Hi Technologies foi vendida à Positivo Informática. Por questões contratuais, os valores de compra e o faturamento do último ano não puderam ser divulgados. Sobre as expectativas para 2016, Figueiredo conta que, “agora, com a Positivo, nós planejamos ampliar nossa fábrica, que será capaz de produzir até mil Millis por mês. Antes, não nos arriscávamos em vendas muito grandes, por conta da nossa limitação. Em breve, devemos ter uma estrutura que irá nos permitir virar uma referência no mercado da tecnologia hospitalar”, afirma.

Fonte: PEGN


Deixe seu comentário:









Digite este número...

O que você achou desta matéria?

Vote e ajude-nos a melhorar.



Os seu e-mail e o seu CPF não serão exibidos nos comentários. Eles serão guardados em nossa base para podermos atender você, cada vez melhor!

Boletins especiais