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Empresários do setor de vestuário e móveis ganham espaço na crise

Edição: 06/2016

 O fraco desempenho da economia brasileira já é, há tempos, perceptível e um consenso entre especialistas, a classe política e a população. E o reflexo da estagnação já aparece nos números. Em 2015, o País fechou 1,5 milhão de postos de trabalho com carteira assinada. O dado é o pior da série histórica, iniciada em 1992 pelo Ministério do Trabalho e Previdência Social. Somada à falta de emprego, a taxa de juros de 14,25% dificulta o acesso ao crédito e deixa o dinheiro mais caro no País.

Diante de um cenário macroeconômico tão ruim, os brasileiros se viram obrigados a mudar seus hábitos de compras. Aproveitar aquilo que se tem em casa é, além de uma opção, uma necessidade. Bom para os empreendedores que atuam principalmente em dois segmentos. Móveis danificados e itens de vestuário estão cada vez mais longe de serem descartados. O modelo de consumo ‘fast’ cede espaço para a ordem do dia: economizar.

A Mintel Group, especializada em pesquisas de mercado, já detectou os efeitos dessa mudança. De acordo com o estudo Tendências de Consumo, entre 2014 e 2015, 40% dos brasileiros compraram menos roupas e acessórios e 33% mudaram seus hábitos de compra nos últimos 12 meses devido ao aumento nos preços das contas de casa, o que indica necessidade de cortar custos.

Diante desse cenário, pequenos negócios com o viés tradicional de reparos e reformas se reinventam e despontam como uma oportunidade para faturar. A empresa especializada em conserto de cadeiras e venda de produtos novos Hospital dos Móveis, por exemplo, comemora o bom momento impulsionado pela crise.

“O pessoal hoje quer realmente reformar, remendar até não conseguir mais”, conta a gerente de vendas Ester dos Santos. Ela conta que fechou 28 pedidos de reparos em um único dia. Além do consumidor final, clientes corporativos apareceram e no ano passado o Hospital dos Móveis reparou cadeiras de empresas como a Daslu, Detran e do Poupatempo.

Chama a atenção, no negócio liderado por Ester, a adesão de classes mais altas à oferta de reformas, o que fez com que o Hospital dos Móveis contabilizasse crescimento de 80% nos pedidos. “Esse cliente sabe o valor alto daquilo que traz para consertar. Nesses casos, a reforma pode custar 10% do preço do produto e cada centavo que as pessoas economizam, para elas, já é negócio”, conta a gerente.

O público oriundo das classes A e B também está mais disposto a reformar roupas compradas por um preço mais elevado. O movimento foi notado ao longo de 2015 pelo empresário à frente do ateliê de costura Modifiki (leia mais aqui) e ajudou a empresa a crescer. “Esse novo cliente representa atualmente 20% do total de tíquetes mensais”, explica Daniel Nogueira Gomez, gerente do negócio.

Gerações. A coordenadora do centro de empreendedorismo da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap), Alessandra Andrade, avalia que o aumento na demanda por reformas pode ir além da crise e se tornar uma mudança no padrão. “O consumo está perdendo um pouco do glamour. Isso vem da geração que se alfabetizou na internet. Ela se comunica de uma forma diferente e se propõe a trocas maiores”, diz. “Os jovens de hoje experimentaram empresas que cresceram e hoje valem bilhões, por isso, têm um apego menor ao institucional. Elas querem aproveitar tudo aquilo que serve e pode desobstruir.”

Fonte: Estadão PME


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