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Brincando de empreender

Edição: 08/2011

Lições de empreendedorismo não são úteis apenas para quem quer abrir uma empresa. Conceitos como iniciativa, liderança, trabalho em equipe e persistência extrapolam o mundo dos negócios e devem fazer parte da formação do indivíduo, seja qual for a carreira escolhida. Esse é o princípio que rege a Junior Achievement, uma associação educativa sem fins lucrativos, mantida pelo setor privado, que tem como objetivo estimular práticas empreendedoras entre crianças e adolescentes dos 10 aos 17 anos. “Queremos mudar o comportamento dos jovens”, diz Gisela Cordeiro, diretora executiva da Junior Achievement em São Paulo. “Nossa meta não é apenas formar empresários. Queremos que o jovem aprenda a ter uma atitude empreendedora, que seja proativo.”

Criada em 1919 nos Estados Unidos, a organização está presente em 123 países, atingindo cerca de 10 milhões de jovens por ano. No Brasil desde 1983, a Junior Achievement já teve seus programas aplicados a mais de 2,3 milhões de jovens, em escolas públicas e privadas. Participaram dos projetos cerca de 89 mil voluntários, entre empresários e colaboradores. “Além de influenciar os jovens, queremos mudar a cabeça dos empresários, fazendo com que se transformem em referência e inspiração para esses estudantes.”

Um dos empreendedores que atuam como voluntários nos programas da instituição é Fabio Barbosa, presidente do Grupo Santander. “É preciso que os jovens aprendam desde cedo a empreender com responsabilidade social”, diz Barbosa. “É nessa fase que aprendemos os valores que nos acompanharão pela vida toda.” Lito Rodriguez, fundador da rede de franquias DryWash, também participa como voluntário das ações da Junior Achievement. “Levamos a esses estudantes uma perspectiva diferente: ali, eles percebem que podem ser donos dos seus negócios e das suas vidas.”

O carro-chefe da organização recebe o nome de Miniempresa. No programa, os alunos experimentam o dia a dia do mundo dos negócios por meio do planejamento e da gestão de uma empresa fictícia. Durante 15 semanas, os estudantes aprendem conceitos como plano de negócio e capital de giro. “Foi emocionante fazer uma palestra diante de um auditório repleto de jovens e adolescentes”, diz Rodriguez. “Nunca falei para um público tão empolgado.” Desde então, ele se oferece como voluntário todos os anos. “Gostaria que mais empreendedores participassem. Só assim podemos diminuir a distância entre a demanda de crescimento do país e a falta de profissionais capacitados.” Para Gisela Cordeiro, esta é a hora certa para investir em educação. “O momento econômico chamou a atenção dos empresários para a falta de mão de obra qualificada no país”, diz. “Queremos ajudar a preencher essa lacuna.”

Felipe Piccinin Rossati tinha 16 anos quando participou do programa Miniempresa, em uma escola pública de Limeira (SP), em 2006. Sua “empresa de mentira” era uma fábrica de doces. Para aprender a tocar o negócio, fazia reuniões semanais com os voluntários. Conversando com eles, aprendeu fundamentos de vendas, RH, marketing, finanças... “Levei o curso muito a sério”, diz Rossati. “Sempre sonhei em ser empresário, mas essa experiência me deu ferramentas para viabilizar o plano.” A ideia de abrir um negócio se consolidou em março de 2009, quando seu irmão mais velho propôs uma sociedade: um empório chamado Cascata do Vinho. O investimento inicial seria de R$ 20 mil, e cada irmão entraria com 50%. Rossati tinha apenas R$ 4 mil, que estava economizando para comprar um carro. “Combinamos que eu trabalharia sem ganhar nos primeiros oito meses, para pagar a diferença. Era uma oportunidade de ouro, não podia desperdiçar.” Um ano depois da abertura da empresa, comprou a parte do irmão e convidou o pai para se tornar seu sócio.

A Cascata do Vinho comercializa produtos como vinhos, queijos, doces, salames, cachaças e cervejas, com foco na classe C. Segundo Rossati, a decisão de direcionar o negócio para esse nicho foi tomada depois de uma pesquisa de mercado. “Aqui em Limeira existem duas lojas desse tipo, mas que atendem somente o público A. O público das classes B e C estava carente de um estabelecimento que oferecesse artigos de qualidade a preços acessíveis.” Hoje, Rossati divide o tempo entre a gestão da empresa e o sétimo semestre do curso de Administração de Empresas do Instituto Superior de Ciências Aplicadas (ISCA), em Limeira. A empresa fechou 2010 com um faturamento de R$ 120 mil.

Ser dono do próprio negócio também era o sonho de Euclides Vital Jr. “Quando participei do programa da Junior Achievement, eu tinha 14 anos. Ao entrar em contato com empresários veteranos, vi que era aquilo que queria fazer. Decidi que, se ia trabalhar para alguém, seria para mim mesmo.” Três anos depois, entrou no curso de Administração na Universidade Anhembi Morumbi, em São Paulo. Concluída a faculdade, abriu a Dakar, empresa que atua no setor metalúrgico, fazendo manutenção e desenvolvimento de projetos industriais. Em 2010, o faturamento foi de R$ 130 mil. Além de pequeno empresário, Vital Jr. tornou-se um educador: hoje, aos 37 anos, é professor de Empreendedorismo e Diretor Acadêmico das Faculdades Integradas Paulista. “Me apaixonei pela área da educação”, conta. “Tenho prazer em incentivar o lado empreendedor dos alunos. Explico para eles que empreender não significa apenas abrir um negócio: é uma postura de vida, que faz com que você saia da sua zona de conforto.”

No ano passado, Vital Jr. fechou um ciclo: entrou em contato com a Junior Achievement e se ofereceu para se tornar, ele também, um voluntário. “Era a pior época possível para mim. Estava finalizando uma pós-graduação em Filosofia, minha mulher teve gêmeos, estava preparando minha empresa para exportar. Mesmo assim, achei importante arrumar tempo para compartilhar o que sei com outras pessoas. Durante a palestra, mostrei aos alunos uma foto minha da época em que fiz o programa. Daí, contei minha trajetória profissional até aqui. Queria que percebessem que eles também podem ser donos das próprias vidas.”

Fonte: http://revistapegn.globo.com/

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