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Transformação duradoura

Edição: 09/2011

A chegada de energia elétrica, de água encanada, de telefone e da internet a comunidades que viviam sem essa infraestrutura muda a realidade local.

Além de garantir melhores condições de vida e de promover a inclusão social, o acesso a esses bens abre novas oportunidades. Permite, por exemplo, que essas pessoas empreendam, aumentem sua renda e ainda gerem empregos. Uma transformação que para se tornar realidade precisa de forte investimento público e de cursos e treinamentos que capacitem essas comunidades a abrir e gerenciar suas próprias empresas.

Há oito anos, mais de 13 milhões de brasileiros viviam sem luz, morando em situação precária, sem condições de ter uma geladeira sequer para conservar seus alimentos. Os mais prejudicados eram as pessoas que viviam em zonas rurais do País, onde para levar os cabos e postes de energia até as casas era necessário um investimento alto dos municípios ou mesmo dos próprios moradores.

Sem condições de fazer isso, muitos produtores largavam o campo e os que ficavam não tinham muitas perspectivas – a maioria plantava e vendia aquilo que produzia a preços baixos para outras empresas industrializarem os produtos.

Uma realidade que atingia principalmente os municípios mais pobres do Brasil e os moradores de comunidades quilombolas, ribeirinhos, assentados da reforma agrária e aldeias indígenas. Segundo levantamento do Ministério das Minas e Energia, das 13 milhões de pessoas que viviam sem luz em 2003, cerca de 90% das famílias tinham renda inferior a três salários mínimos e 80% delas moravam em zonas rurais.

A vida dessas pessoas passou por uma grande transformação quando o governo federal criou em 2003 o programa Luz Para Todos para levar energia elétrica a comunidades carentes que não tinham acesso ao serviço. Coordenado pelo Ministério das Minas e Energia, o programa recebeu investimentos de R$ 20 bilhões, recursos vindos do governo federal, dos governos estaduais e de empresas de energia. Um dinheiro que vem sendo utilizado em obras de infraestrutura para levar energia elétrica para as comunidades e em uma série de ações integradas que buscam viabilizar novas oportunidades de renda e melhores condições de vida para os beneficiados.

Só na região Sul do País e em Mato Grosso do Sul, mais de 1 milhão de pessoas não tinham acesso a energia até 2003. Na área rural de Canguçu, no Rio Grande do Sul, camponeses do assentamento Herdeiros da Luta viveram por mais de cinco anos sem luz. A principal produção da comunidade na época era leite, mas como não tinham geladeira, os produtores eram obrigados a andar mais de cinco quilômetros para pedir para os vizinhos armazenarem o produto – o que tornava muito difícil a vida dos agricultores na região.

Em 2005, a energia elétrica chegou ao assentamento através do programa Luz Para Todos e mudou a forma de viver na comunidade. Além de comprar geladeiras e freezers para armazenar o leite, os agricultores montaram uma confecção de roupas. Para auxiliá-los no novo negócio, o grupo Eletrobras, por meio das ações integradas do Luz Para Todos, doou máquinas de costura e de bordado para o assentamento. Desde setembro de 2010, os agricultores, além de produzir grãos e leite, vendem roupas, bolsas e sacolas ecológicas. A confecção representa hoje uma renda de R$ 3 mil para o assentamento, e cada moradora que participa da associação como costureira recebe em média R$ 250 por mês.

A chegada da energia elétrica à comunidade cafuza do município de José Boiteux, em Santa Catarina, também abriu novas oportunidades de negócios para os moradores. As 26 famílias da localidade viveram por mais de dez anos sem luz, em condições precárias, tendo como sustento o plantio de fumo, hortaliças e a colheita de erva-mate. Como não podiam beneficiar os produtos por conta da falta de energia, vendiam o que produziam a preços muito baixos. “Antes a gente fazia a colheita de erva-mate e precisava ir a cidades que ficam a 280 quilômetros de José Boiteux para vender o produto a grandes empresas ao custo de R$ 0,42 o quilo. O preço era baixo porque a gente não podia fazer o processamento da erva-mate”, explica Mário de Jesus, um dos líderes da comunidade cafuza.

Com a chegada da energia elétrica em 2005, a produção da comunidade aumentou e eles passaram a beneficiar parte dos alimentos produzidos. No ano passado, os moradores ganharam do Ministério do Desenvolvimento Agrário, do Incra e da Eletrosul, empresa que pertence ao sistema Eletrobras, máquinas para fazer o processamento da erva-mate colhida e a partir dessa oportunidade eles montaram sua própria empresa de beneficiamento, a Ervateira Cafuza. Ela funciona como uma associação e todos os moradores da comunidade participam da colheita e do processamento da erva. Até o momento foram produzidos cerca de 2 mil quilos de erva-mate pilada por mês, mas essa quantia pode aumentar e chegar a 20 mil quilos por mês.

Os primeiros pacotes da erva-mate Cafuza, que foi processada e embalada em José Boiteux, foram trazidos pelo líder da comunidade para serem vendidos em Florianópolis na Feira Luz Para Todos, evento organizado pela coordenação do programa na Região Sul e em Mato Grosso do Sul que reuniu, na sede da Eletrosul, no mês de maio, comunidades beneficiadas pelo programa. Nos dois dias de feira, Mário de Jesus vendeu mais de 200 quilos de erva-mate e, diferente da época em que a comunidade precisava comercializar o produto por alguns centavos, hoje eles ganham R$ 5 por pacote vendido.

Além da comunidade cafuza, outros dez grupos beneficiados pelo programa na Região Sul e em Mato Grosso do Sul participaram da 1ª Feira do Luz Para Todos. Em estandes montados no hall da Eletrosul, cada comunidade trouxe uma amostra de produtos que eles fabricam em suas regiões. “A proposta da feira foi reunir os beneficiados pelo programa na região, dar visibilidade ao que eles vêm produzindo e ainda garantir uma oportunidade para que pudessem vender seus produtos. Para muitas comunidades, essa foi a primeira vez que participaram de uma feira para expor e vender o que produzem em suas associações, e isso é importante para que tenham mais noção de mercado”, explica Delmar Gonçalves, gerente do Luz Para Todos na Região Sul e em Mato Grosso do Sul.

Os assentados de Rio Cascudo, em Guaraniaçu, no Paraná, trouxeram para a feira pães, bolos e bolachas que produzem na Cozinha e Panificadora Comunitária montada na localidade através das ações integradas do Luz Para Todos. A produtora rural Rosa de Oliveira participa da associação e conta que o novo negócio tem mudado a vida dos assentados. “Antes a gente fazia pão em casa, mas não podia vender. Com a cozinha industrial, vendemos nossos produtos para a cidade e para o programa de compra direta da merenda escolar do município.”

Fonte: http://www.empreendedor.com.br/

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