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Brasil S/A

Edição: 08/2012

 Um em cada seis brasileiros em idade produtiva é empreendedor, um dos mais altos índices do mundo. E esse número vem evoluindo. Em 2010, 17,5% da população com idade entre 18 e 64 anos – 21,1 milhões de brasileiros – exerceram alguma atividade empreendedora em negócios com até três anos e meio de vida. Em 2000, a taxa era de 13,5%. Mas o que torna o País um terreno tão fértil para os novos negócios? Somos mesmo mais criativos e ousados?



Mais ou menos. Que o empreendedorismo aumentou no Brasil pode-se atestar pelos dados citados acima, da 11ª edição da Pesquisa Global Entrepreneurship Monitor (GEM 2010). O índice de 17,5% coloca o Brasil como o país com a maior Taxa de Empreendedores em Estágio Inicial (TEA) do G20, grupo que integra as maiores economias do mundo, e do chamado Bric, formado por Brasil, Rússia, Índia e China.

A TEA da China ficou em 14,4% e a da Argentina em 14,2%. Entre os países desenvolvidos, Austrália e Estados Unidos apresentaram TEA de 7,8% e 7,6%, respectivamente. A média do Brasil desde a primeira participação do País na pesquisa, no ano 2000, é de 13,3%. A GEM 2010 mostra que a evolução da TEA é resultado do maior número de empreendedores de negócios novos, ou seja, a opção pelo empreendedorismo vem crescendo entre os brasileiros.

E não é só isso. A mesma pesquisa indica um crescimento qualitativo. O número de empreendedores que montam um negócio por enxergar uma oportunidade de mercado já é o dobro daqueles que decidem empreender por mera necessidade, ou seja, por não encontrar outra opção profissional. Essa é uma condição ímpar para a sobrevivência dos empreendimentos. Na GEM 2002, a relação era de um empreendedor por necessidade para 0,7 empreendedor por oportunidade.

“É claro que empresas abertas por necessidades podem virar grandes negócios. Mas, em geral, os empreendedores por oportunidade tendem a ser mais bem-sucedidos porque eles perceberam algo que o mercado está precisando e, por isso, estão mais direcionados”, explica Romeu Friedlaender, economista do Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBQP), que realiza a GEM no Brasil em parceria com o Sebrae.

Segundo Friedlaender, entre os empreendedores por necessidade é muito comum encontrar pessoas que abrem um negócio apenas para gerar renda enquanto não conseguem um emprego. Por isso, esses empreendimentos tendem a ser menos duradouros, elevando a taxa de mortalidade das micro e pequenas empresas. “É aquela pessoa que começa a costurar para fora ou fazer salgadinhos para festa, mas continua atrás de um emprego. Quando consegue, desiste do negócio.”

Para especialistas no assunto, a GEM 2010 mostra como uma economia forte, aliada a políticas públicas de apoio ao empreendedorismo, pode estimular a abertura de novos e melhores negócios. “O ambiente econômico atual do Brasil favorece o surgimento de novas oportunidades aos micro e pequenos empresários”, afirma Luiz Barretto, presidente do Sebrae. “Há mais pessoas consumindo e, consequentemente, mais gente querendo oferecer produtos a elas”, resume o economista do IBQP.

Conjuntura
Juliano Seabra, diretor de Educação, Pesquisa e Cultura da Endeavor, afirma que não há dúvidas de que as condições de mercado são determinantes ao empreendedorismo. “Esse cenário ajuda as pessoas que têm vontade de montar um negócio. Elas se sentem mais confortáveis para tentar empreender não só porque o ambiente é propício, mas porque sabem que se fracassarem podem voltar mais facilmente ao mercado de trabalho”, analisa o executivo.

A estabilidade da moeda, com a criação do Real, em meados de 1994, foi o primeiro passo para a criação de um ambiente favorável. Era o fim da era da hiperinflação. “Só então conseguimos nos livrar do estresse do imediatismo. Antes disso, o empreendedor só conseguia se preocupar com o dia seguinte”, afirma Ary Plonski, presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores (Anprotec), que reúne 400 incubadoras e 6,3 mil empreendimentos inovadores.

Quem começou naquela época lembra bem das dificuldades. “Vivíamos em um cenário de inflação, não era fácil fazer um planejamento anual da empresa”, conta Eduardo Nader, presidente do Mercado Eletrônico. Especializada em soluções de e-commerce, a empresa foi criada em 1994, uma época em que a infraestrutura na área de telefonia era muito precária e a internet sequer era comercial no Brasil. “Muitos consideravam utópico, mas achávamos que o comércio entre empresas seria realizado em ambiente eletrônico e fomos em frente.”

Para Nader, apesar de alguns entraves como a burocracia e a carga elevada de impostos persistirem, está mais fácil empreender. Ele destaca o fomento à inovação com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e incentivos como a Lei do Bem. “De qualquer forma também usamos as crises econômicas e a adversidade ao nosso favor, procurando oferecer soluções que dessem ganho de produtividade e ferramentas de inteligência aos nossos clientes”, observa Nader.

A inovação é o grande gargalo do empreendedorismo brasileiro. Para Juliano Seabra, o que falta é educação empreendedora. “Quando o assunto é preparar para empreender, ainda estamos engatinhando”, afirma. Para Bruno Quick, ainda há muito a ser feito pelos pequenos negócios e, consequentemente, pela maioria dos empreendedores brasileiros. “A pequena empresa caminha para empregar na economia formal seis em cada dez trabalhadores; entretanto, sua participação no PIB ainda é de apenas 20%. Por isso, ter políticas públicas para que elas sobrevivam, prosperem e se desenvolvam é fundamental para ter quantidade e qualidade de postos de trabalho.”

Fonte
Empreendedor

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