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Os predadores dos talentos empreendedores

Edição: 06/2013

De acordo com o sociólogo polonês Zygmunt Bauman, os tempos são "líquidos" porque tudo muda tão rapidamente. Nada é feito para durar, para ser "sólido".

Essa transitoriedade permanente faz surgir oportunidades da noite para o dia, que se evaporam com a mesma facilidade com que emergem em nossos radares. Ao nos permitir combinar tecnologias digitais com agressividade empreendedora.



Mas dá espaço também para a proliferação dos predadores que, para manter suas atuais posições, cada vez mais ameaçadas pelo tsunami de novas ideias, propostas e exigências dos consumidores e dos mercados, se especializaram em artimanhas.

Tudo para se aproveitar dos talentos que chegam agora ao mercado ávidos para provar valor por meio de suas habilidades acumuladas nas faculdades ou em anos de dedicação a uma função.
A prática tem se disseminado a tal ponto que as propostas de "parceria" faz estremecer de desconfiança até o mais ingênuo empreendedor.

A armação tem sempre os mesmos ingredientes: muita conversa, muita promessa, assimilação imediata de novas ideias e nenhum comprometimento via contrato ou até mesmo o pagamento das horas, dias e até mesmo meses dedicados à "parceria".

Que tende a se evaporar quando as relações se tornam tensas diante da falta de retorno para quem, ávido para provar seu talento, percebe que entregou uma nova visão de negócio que é imediatamente aproveitada, sem repasse de ganhos, lucros ou honorários, para o novo empreendedor.

Pânico
O empresário que bem ou mal consolidou seu negócio e vinculou sua vida pessoal aos ganhos conquistados pelo empreendimento, que traduz em carrões do ano, casa de praia, viagens ao exterior e roupas de marca, entra em pânico quando percebe que os lucros estão há anos com uma ameaçadora "tendência de queda permanente".

É hora de inovar, pensa, após ter percebido que rolar a expectativa de lucros com a renovação de empréstimos bancários pode colocar tudo a perder.

Descobre, simultaneamente, que sua capacidade gerencial está sólida, pois aprendeu a comandar equipes, a motivar talentos, e impressionar seus potenciais aliados com sua sala ampla e com a elegância com que assume as contas do restaurante.

Sua sedução está otimizada e na falta de uma ideia salvadora, de um novo ângulo para apresentar seus produtos e/ou serviços que é hora de buscar no mercado as "parcerias" que o ajudarão a retomar o estágio anterior de lucratividade e poder manter por mais alguns anos seus custosos hábitos pessoais.

A presa

Uma consulta rápida nos sites de internet e nas redes sociais permite a esse empresário em crise, que só tem como alternativa, se tornar predador, localizar as novíssimas empresas construídas em torno de talentos que pipocam ao seu redor.

A aproximação é facilitada pela ansiedade do novo empresário sempre ávido por servir. Com uma energia que parece ser estimulada por mil sóis. Cheio de ideias e super antenado com as tendências do mercado.

São homens e mulheres de todas as idades, que organizaram suas vidas produtivas priorizando seus talentos, sua capacidade de análise e de síntese. Profissionais que nem sempre encontram o espaço adequado nas empresas em mutação ou que foram descartados exatamente por estarem um passo à frente de suas chefias e estruturas burocratizadas.

A caçada
A caçada se dá em ambientes sofisticados. Bons restaurantes, hotéis e até mesmo deslocamentos aéreos para as reuniões. Nessa etapa não faltam atenções, devidamente programadas para relaxar a presa e induzi-la a expor, o mais rapidamente possível, as suas grandes ideias.

O empresário em crise e agora predador é todo ouvido. Seu experiência acumulada nos acertos e erros na condução de sua empresa o ajuda a filtrar rapidamente as propostas de seu interlocutor (ou interlocutora) talentoso.

Ao descartar os aspectos inviáveis e induzir sua presa para os focos de seu interesse, acelera a transferência de cenários que o ajudarão a fazer o ajuste fino na sua empresa em pânico.

Depois de vários encontros aparentemente inconclusivos para quem faz a proposta e que foram sistematicamente aproveitados pelo empresário-predador faz com que a "relação" atinja seu pico.
O empreendedor cheio de ideias começa a sentir o chão a se transformar em areia movediça. Os almoços grátis a que frequenta não são suficientes para fechar suas contas do mês.

As promessas tantas vezes repetidas não se transformam em contrato e em acordos comerciais sólidos.

Ao perceber que desses encontros não sairá nada proveitoso, o empreendedor talentoso geralmente descobre que caiu numa armadilha.

E ao insistir num contrato, no pagamento das horas dedicadas ao empresário-predador, perceberá que grande parte de sua entrega gratuita de ideias foi realizada em situações e em ambientes confortáveis controlados pelo empresário-predador.

Geralmente, às custas do seu "parceiro" que agora ameaça desistir da proposta e não cumprir as "promessas".

O golpe está consumado. E a empresa-predadora vai sobreviver mais alguns meses ou anos colocando em prática as sugestões tão gentilmente repassadas pelo empreendedor talentoso e ingênuo.

O que fazer
Diante de toda e qualquer proposta avalie com calma quem te convida. E preste muita atenção à postura. Se tiver mais sedução que proposta comercial imediata, desconfie.

Os empresários sérios sabem avaliar o talento e diante de uma boa oportunidade agirão com rapidez para alistar a fonte de novas ideias, através de um contrato comercial sólido, a favor de sua empresa.

Se puder escolher o ambiente de reunião prefira um lugar neutro, sob seu controle. Evite correr o risco de se tornar presa fácil ao expor suas ideias e projetos a um ou dois interlocutores atentos e preparados para filtrar suas melhores propostas.

Mantenha sempre sua serenidade. Nunca aprofunde suas ideias se não tiver sólidas garantias contratuais. E com o máximo de clareza possível, sempre com gentileza, conduza a conversa para reforçar os seus interesses comerciais, que serão confirmados através de um contrato.

Que só depois de devidamente assinado abrirão sua caixa de ideias. E seu talento será, então, transformado em cenários concretos, com sua participação em cada detalhe e que ajudarão seu novo parceiro a se elevar para um novo estágio de ganhos nessa economia cada vez mais liquefeita.

Fonte
UOL Economia

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