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O que os empreendedores ganham com o Startup Brasil

Edição: 07/2013

Perto do final das inscrições para a primeira edição do programa Startup Brasil, mais de 10 mil empreendedores já se candidataram para receber apoio e investimento. Seguindo o exemplo do Chile, o governo brasileiro criou o programa que vai investir e apoiar startups, através de bolsas do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e de aceleradoras.
O programa é parte de um projeto mais amplo, o Programa Estratégico de Software e Serviços de Tecnologia da Informação, ou TI Maior.




Realizado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o TI Maior tem o objetivo de criar mecanismos para o Brasil se desenvolver digitalmente. “Estamos trabalhando na construção do futuro do Brasil digital. Precisamos criar condições para que o setor de TI exporte mais e seja mais inovador”, explica Virgilio Almeida, secretário da Secretaria de Política de Informática (SEPIN/MCTI).

O TI Maior vai trabalhar em várias frentes para incentivar a indústria de software no país e o Startup Brasil é uma delas. “Cada vez mais a economia depende da internet. O caminho natural é estimular o aparecimento de startups, empreendedores e talentos do exterior e gerar produtos ou serviços para outros setores”, diz Almeida.

No Startup Brasil, o governo criou a estrutura, mas é o setor privado quem vai colocar a mão na massa. Nove aceleradoras foram selecionadas para acompanhar as startups no programa, com mentoria e investimento. As escolhidas foram Aceleratech (SP), 21212 (RJ), Microsoft (SP/RJ/RN/RS), Papaya (RJ), Pipa (RJ), Wayra (SP), Fumsoft (MG), Outsource (RJ) e Start You Up (ES). “A aceleradora tem dinâmica com foco no conhecimento que a startup precisa”, diz Cassio Spina, fundador da Anjos do Brasil.

Como funciona
As startups têm até o dia 31 para se inscrever pelo site do programa. Lá, preenchem um formulário e serão avaliadas em relação ao modelo de negócio, à tecnologia, à equipe e à motivação do empreendedor.

Cada critério tem pesos e subcategorias diferentes. Por exemplo, dentro do primeiro critério, escalabilidade, proposta de valor e competitividade vão somar pontos com o júri. “Quem decide de fato é o comitê de julgadores, que é definido pelo CNPq. A gente está trabalhando junto para que o comitê tenha pessoas com conhecimento de mercado, com um viés menos acadêmico e mais empresarial”, indica Felipe Matos, COO do Startup Brasil.

As empresas devem ter CNPJ para participar. É possível ser microempreendedor individual, mas, segundo Matos, esta não é a categoria ideal para empresas que pretendem crescer. São as próprias startups que definem, por ordem de preferência, quais aceleradoras querem ficar.
Segundo Almeida, serão selecionadas 50 startups neste primeiro edital e outras 50 em setembro. Os resultados serão divulgados em 25 de junho e 16 de dezembro respectivamente.

Cada startups vai receber investimentos de até 200 mil reais em bolsas para pesquisa concedidas pelo CNPq. Além disso, as aceleradoras também fazem aportes. No total, 40 milhões de reais devem ser destinados aos projetos. “Com as bolsas do CNPq de até 200 mil reais, você acaba trazendo empreendedores que, de repente, não tinham condição de abandonar seus empregos no mundo corporativo e agora têm a oportunidade de entrar de cabeça com um pouco mais de respaldo”, opina Luisa Ribeiro, CEO da Papaya Ventures.

O programa estará de olho especialmente em startups das áreas de energia, defesa, saúde, educação, mineração e desenvolvimento tecnológico. Outro ponto de interesse são os empreendedores estrangeiros.

Até 25% das empresas selecionadas poderão ser de origem internacional. “Queremos atrair talentos do exterior, que queriam empreender no país. Trabalhamos junto ao Itamaraty para que no primeiro ano eles tenham um visto especial”, diz Almeida. Quase 20% dos formulários foram baixados por empreendedores de fora do país, em locais como São Francisco, Nova York, Buenos Aires, Santiago, Bangalore e Londres.

Para os empreendedores, o programa representou um avanço no ecossistema de startups brasileiro. Fernanda Faria, Vivian Almeida e Vitor Lopes, da BRestate, voltaram de uma temporada no Canadá e ficaram surpresos com a notícia do programa.

A empresa, que fez um app para o mercado imobiliário, está concorrendo à primeira seleção. “Saber que o governo está estimulando ideias em nosso país foi uma felicidade enorme. Perceber o movimento nessa direção é, sem dúvida, um gás na árdua tarefa que é empreender, afinal, todo empreendedor sabe o quanto é difícil receber apoio inicial para crescer”, contam.

Ricardo Nunes, Marcelo Luna e Rodrigo Gadelha, da Alligator, estão na mesmo situação e escolheram o programa para tentar conseguir o apoio inicial. “É uma oportunidade única de contar com um excelente subsídio do governo aliado à participação em programas de aceleração com mentores incríveis, ambientes de co-working, assessoria jurídica e um canal direto com investidores”, diz Ricardo. A startup criou um app que oferece descontos e cupons para clientes em shoppings.

Melhorias

O mercado recebeu com empolgação o programa, mas ainda há dúvidas e melhorias a serem pensadas. “Todo mundo está bastante estimulado, mas existem limitações e preocupações”, diz Spina.

Se as aceleradoras e o governo não trabalharem de forma conjunta, quem perde são os empreendedores. Um exemplo: o recurso do CNPq só pode ser usado para pagamento de equipe e, muitas vezes, as empresas precisam investir em marketing. Neste ponto, é necessária uma atuação das aceleradoras e dos investidores para reforçar o desenvolvimento das startups, conseguindo novos aportes.

Outra preocupação é a distribuição geográfica das aceleradoras, concentradas no Sudeste, o que obrigaria empreendedores de outras regiões a se mudarem. “A gente acredita que participar é fundamental para potencializar o sucesso, porque vai estar junto com outras empresas, com desafios parecidos, receber capacitação importante e mentorias específicas que valem a mudança”, explica Matos.

O secretário da Secretaria de Política de Informática (SEPIN/MCTI) garante que o processo vai ser dinâmico e melhorar a cada edição. “Nós esperamos que no novo edital no final do ano vai ter novas aceleradoras. A gente vai afinar o que não acertarmos agora”, diz Almeida.

Apesar de um avanço, o programa não é a solução para quem tem uma startup. Burocracia e alta carga tributária prejudicam a vida do empreendedor e dificultam a abertura de novas empresas.
Há outros projetos acontecendo simultaneamente, como o do senador José Agripino, aprovado na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, que pede isenção fiscal a startups. “Acho que falta facilitar o processo de encerramento de empresa. O princípio da startup é tentativa e erro. Se não deu certo, vai para a próxima, mas sem penalizar o empreendedor”, indica Spina. Para chegar perto de ter um Vale do Silício, no entanto, o país ainda tem um longo caminho pela frente.

Fonte
Revista Exame
 

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