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O terceiro setor precisa ser mais objetivo e menos emotivo

Edição: 08/2013

Em menos de uma década, a mineira Daniela Barone construiu uma carreira ímpar no terceiro setor. Formada em economia pela Unicamp e com um MBA em Harvard, ela iniciou sua trajetória profissional nos bancos Citibank, BankBoston e GoldmanSachs. Em 2006, quando já tinha sentido o gostinho de trabalhar no mercado financeiro, ela decidiu dar uma baita de uma guinada.



Daniela aceitou o convite de trabalhar na Impetus Trust, ONG britânica que ajuda outras entidades do terceiro setor a captar recursos financeiros e implantar ferramentas de gestão. Apenas dois anos depois de deixar a vida de executiva de banco, Daniela foi apontada pelo jornal The Independent uma das 100 pessoas cujo trabalho fazem do Reino Unido um lugar melhor para se viver.

Numa entrevista concedida por e-mail, ela fala do seu trabalho à frente da Impetus e das principais tendências do terceiro setor.

O que você tem feito à frente da Impetus?
Promovemos um real entendimento dos impactos sociais, de forma que governo e filantropos possam aprimorar o direcionamento de seus recursos para as mudanças sociais. Para que isso seja possível, o rigor no gerenciamento de impacto de cada atividade é essencial. A propósito, dois livros na ponta dessa tendência são "Leap of Reason" (Salto da razão), de Mario Morino, e "Working Hard -- and Working Well" (Trabalhando duro e trabalhando bem), de David Hunter (ambos inéditos em português).

Qual a importância desse tipo de trabalho para o terceiro setor?
A medição do impacto das ações sociais ainda não é feita de forma abrangente em lugar nenhum. Ha notáveis exceções, mas esse é um campo em que ainda tem muito trabalho a ser feito. As evidências dos impactos causados por programas e entidades sociais ainda são muito precárias.

Além disso, até onde vai a atuação da Impetus Trust?
Trabalhamos para aumentar a disciplina na implementação dos projetos, o gerenciamento e o feedback dos programas. Também é necessário que os provedores de capital estejam dispostos a pagar por avaliações rigorosas. Além disso, é preciso que a evidência das intervenções que realmente funcionam sejam levadas a filantropos, corporações e governos para que possam alcançar quem mais precisa delas. Isso requer que os envolvidos sejam mais objetivos e menos emotivos nos seus processos decisórios.

Quais são as principais tendências desse setor?
São os pagamentos por resultados ou títulos de impacto social. A ideia é que o governo pague uma ONG de acordo com resultados atingidos por ela em um campo social. Estes resultados são negociados com antecedência e são inclusive registrados em um contrato. Por exemplo: se uma ONG capacita pessoas que estão desempregadas há muito tempo e, com isso, os recoloca no mercado por mais de seis meses, isso traz um impacto aos cofres públicos. Parte dessa economia é “paga” ou transferida para a ONG.

Isso já está sendo colocado em prática?
Está em fase de experimentação. Começou aqui na Inglaterra. A primeira organização a utilizar títulos de impacto social foi a St Giles Trust, que é uma espécie de “filhote” da Impetus e já atravessou o Atlântico, sendo responsável por projetos similares nos Estados Unidos. Outros países, inclusive o Brasil, estão também contemplando isso.

Dessas tendências, o que o Brasil poderia adotar desde já?
O uso de informações, tecnologias usadas por meio de aparelhos celulares e mídias sociais para promover a transformação social. Isso já esta acontecendo e irá acontecer cada vez mais, em velocidade maior. Muita gente anda coletando mil informações que têm pouca relevância e consomem tempo e energia, sem muito resultado. O importante é entender como as novas tecnologias e a coleta de informações pode ajudar cada organização. Existem vários exemplos de organizações do setor 2.5 que já fazem uso extenso disso, com sucesso. O livro "The Networked Non-Profit" (A rede sem fins lucrativos), de Beth Kanter, e sites como data.gov.uk ou aidData trazem muitas tendências nessa direção.

Fonte
Época Negócios

 

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