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Inveja, cobiça e malícia

Edição: 08/2013

Durante uma conferência para executivos de uma grande empresa, sou bombardeado com a seguinte pergunta:

Achar textos sobre assuntos concretos, como gestão, finanças e planejamento, não é difícil. Mas empresas não são apenas processos, são também aglomerados aleatórios de pessoas e personalidades. Para além dos métodos de administração, já tão conhecidos, podemos admitir que aspectos quase sempre presentes em humanos, como a inveja, a cobiça e a malícia, contribuem para o sucesso ou o fracasso de uma empresa ou de um projeto?




Com todo o cuidado, evitei responder à pergunta de imediato, e prometi respondê-la com calma, refletidamente e, se possível, tendo ao meu lado grandes nomes do pensamento humano sobre o assunto. Aí vai a tentativa de resposta.

1- A inveja é um estado de tortuosa tensão, tormento e sofrimento, provocado por uma esmagadora sensação de inferioridade e impotência, da parte de pessoa ou empresa. É um estado tão doloroso para a mente que praticamente obriga o torturado personagem a realizar qualquer gesto e ação para diminuir ou destruir quem ou o que possa ter despertado tão amarga obsessão. Há empresas que se sustentam na ambição de destruir outras e há pessoas que vivem apenas para esmagar aqueles a quem admiram acima do que deveriam.

2- A cobiça é um sentimento paralelo à inveja, mas diferente em sua concepção. A cobiça não é rancorosa. A pessoa ou empresa cobiçosa deseja ter tanto quanto puder, e mais ainda, a fim de superar um vazio interior que a atemoriza. A inveja é uma avidez por si mesmo, a cobiça é uma avidez pela riqueza do outro. Invejosos sempre imaginam que outra pessoa ou empresa vale mais do que eles, alimentados por suas próprias limitações e defeitos. Cobiçosos são alimentados pelo desejo irrefreável de ter mais, cada vez mais, pois nunca admitem que o que têm – mesmo sendo muito – seja suficiente. A cobiça acumula, a inveja abomina. Na sua luta desesperada por reconhecimento, a cobiça danifica os bens que conquista, e assim é impelida a procurar e obter mais e mais daquilo que danificou, num processo vicioso e circular que conduz ao próprio fracasso e à própria exaustão. Muitas empresas muito bem organizadas e geridas se esfarelam nesse processo, bem como pessoas simples ou grandes executivos.

3- A malícia tem três componentes: a percepção de algo provocando um sentimento intolerável, a sensação intensa de desprazer e aflição e a ação destrutiva de querer aniquilar coisas e pessoas. Pessoas e empresas maliciosas vivem permanentemente em atitude agressiva e destruidora; não se interessam por acumular ou abominar. Trata-se de manifestação que tem origem em sentimentos profundos e dolorosos. Somos todos fontes da malícia, no lado sombrio de nós mesmos, no dia a dia da sobrevivência. Em muitos casos, ao se deixar envolver pela soberba e pela notoriedade, damos origem à malícia. Um velho ditado alemão – Mehr sein als schein – é praticamente desconhecido deste lado do Atlântico: “Seja mais, pareça menos.” Mas não apenas a soberba atiça a malícia. A gentileza em excesso, os elogios exagerados a terceiros, abraços ruidosos em público são também, ao seu modo, manifestações de superioridade e humilhação. Um ditado egípcio afirma com precisão:

“É preciso ser muito amável para ser verdadeiramente cruel.”

Aqui está sua resposta, caro amigo acima citado. Nela se misturam Freud, Kant, Schumpeter e vários pensadores sobre o assunto, sobretudo o americano Joseph Berger.

Não há qualquer parecença entre o desejo, motivador da criatividade e da compulsão pela modernidade, e a tirania da inveja, da cobiça e da malícia, os três cavaleiros do apocalipse invisível de empresas e pessoas, que em geral terminam seus percursos atormentadas por doenças verdadeiras ou imaginadas, destruídas por seu próprio veneno.

Nem mesmo de repousar em paz são capazes.

Por Jack London

Fonte
Pequenas Empresas & Grandes Negócios

 

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