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Como romper as barreiras à inovação

Edição: 08/2013

Frequentemente perguntamos aos executivos que participam de programas da Fundação Dom Cabral quantos deles consideram a inovação importante ou estratégica para suas empresas. Quase sempre a totalidade deles tende a responder que inovar é estratégico e que as empresas que não inovam não têm chance de sobreviver em seu mercado. Ótimo! Estão todos alinhados com a última moda da gestão. Inovar é estratégico!

Mas então perguntamos a esses mesmos executivos quantos deles têm em suas empresas processos, sistemas, pessoas e até mesmo orçamento para inovar. Aí as respostas tendem a se diversificar. Em nosso último levantamento, realizado em 2012, apenas 35% deles responderam que sim. A grande maioria respondeu que sim, mas não de forma permanente, e alguns responderam que não, mas que estavam se preparando para mudar essa situação.




Essa é a realidade da maioria das empresas: existe a plena consciência de que inovar é importante e estratégico. Muitas empresas até mesmo definem inovação como um valor ou como parte de sua missão. O exemplo mais notável é o da Johnson&Johnson, que incluiu a inovação em seu credo em 1943. O texto que inclui o propósito de experimentar novas ideias e correr riscos com novas soluções e tecnologias foi escrito em pedra e colocado na entrada da empresa.

Mas ter inovação como valor ou propósito não significa que a empresa vai inovar de fato em seu dia a dia. Não é o caso da J&J, mas a realidade é que muitas empresas têm dificuldade de transformar esse discurso em prática. Mas por quê?

A primeira resposta, e talvez a mais óbvia, é que as empresas são constituídas para executar aquilo que já sabemos. Estamos o tempo todo buscando minimizar erros e incertezas, estamos o tempo todo treinando e revendo nossos processos para maximizar resultados e reduzir o risco de perdas.

As empresas se estruturam, se organizam e selecionam pessoas para acertar, e não para experimentar ou até mesmo para errar. Infelizmente, inovação pressupõe lidar com algo novo e, consequentemente, errar. Certa vez, o cientista-chefe do Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar), Silvio Meira, me disse que, como sua empresa estava passando por um processo de organização, ele havia decidido se tornar o diretor de desorganização. Seu objetivo nesse ato de rebeldia era preservar a capacidade de inovação do Cesar, ao mesmo tempo em que a empresa como um todo se tornava mais organizada.

Outra barreira para inovação nas empresas surge na seleção e no treinamento de pessoas. Buscamos colaboradores que possam dar respostas, mas não que façam perguntas. Só que a inovação não está nas respostas, e sim nas perguntas. Chamamos de empreendedores as pessoas que sempre buscam algo novo e tentam vender essas ideias para outros. Chamamos de criativas as pessoas que apresentam soluções diferentes, muitas vezes sem funcionalidades ou sem valor para outros. Inovação é uma combinação dos dois. Ser criativo é fundamental no processo de transformar uma pergunta em resposta. Mas sem perguntas, isso é, sem empreendedores, não há inovação.

Que espaço damos para os empreendedores em nossas empresas? Será que sabemos atrair pessoas diferentes, que muitas vezes nos incomodam por questionar o óbvio? São pessoas que buscam olhar as oportunidades e os problemas sob uma ótica diferente, que questionam sem ter respostas.

Para rompermos as barreiras à inovação, precisamos dar espaço para a geração e o desenvolvimento de ideias. Devemos valorizar o esforço e, de vez em quando, a tentativa fracassada. A rede Gazeta do Espírito Santo instituiu há alguns anos o prêmio pela tentativa. Há muitos prêmios para a inovação que deu certo, mas há poucos exemplos de empresas que valorizam o tentar, o experimentar ou até mesmo o errar na busca da inovação. Não o erro burro, de fazer errado o que já sabemos, mas o erro inteligente, de tentar algo novo para a empresa e para seu mercado.

De fato, uma forma eficaz de quebrar as barreiras à inovação são a celebração e o reconhecimento. Celebrar e reconhecer não é apenas instituir um prêmio para ideias inovadoras, mas sim registrar as experiências e os projetos inovadores, divulgando-os interna e externamente. Esses casos, assim como o reconhecimento de seus atores, ajudam a reforçar a mensagem de que a inovação é reconhecida e faz parte das histórias de sucesso.

Fonte
Pequenas Empresas & Grandes Negócios

 

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